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Trips to Origin: uma jornada pelos berços e corações do café

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28.08.2019
Trips to Origin - Nucoffee
Trips to Origin - Nucoffee

As visitas organizadas permitem, sim, conversar e entender o passo a passo do processo de produção do café, mas o maior valor desse encontro está na troca individual entre pessoas que vivem o café.

Concebido há cerca de 10 anos, para atender o desejo e a necessidade de um torrefador americano, o "Trips" costuma organizar de dois a quatro roteiros por ano, para promover a visita de torrefadores a fazendas e cooperativas, com direito a muitas e deliciosas provas.

Realizados nas épocas de colheita e pós-colheita, entre os meses de junho e agosto, se estendendo, no máximo, até o início de setembro, os eventos são uma grande oportunidade para que os torrefadores estrangeiros possam descobrir toda a qualidade da produção nacional e conhecer histórias, jamais imaginadas, por trás de cada grão.

Ao longo de sua trajetória, o programa já contribuiu para enriquecer mais de centenas de relações entre torrefadores e produtores, que, muitas vezes, transcenderam o formato cliente x fornecedor, e alcançaram um nível de intimidade e amizade.

A novidade deste ano fica por conta de uma visita à Universidade Federal de Lavras para que nossos convidados possam ver os projetos de inovação feitos, apresentados pelos próprios idealizadores.

Confira o bate-papo com o Coffee Trader da Nucoffee, Renan Cardoso, que explica os detalhes do programa "Trips to Origin".

Quando e como surgiu o programa “Trips to Origin”?
A Nucoffee tem 12 anos, e o “Trips” acontece há, pelo menos, 10 anos. O programa surgiu através de uma demanda de um torrefador americano, que tinha interesse em vir para o Brasil. Foi assim que tudo começou.
Devido a essa vontade, de ver 'in loco' como era a produção brasileira, e que se mostrou comum entre outros torrefadores, a Nucoffee passou a investir para promover este encontro.

Quais são os principais objetivos do programa?
O principal objetivo do “Trips” é agregar valor ao produtor, mostrar que a Nucoffee é uma plataforma de conexão entre torrefador e produtor, que atua com transparência e sem intermediários.

O “Trips” acontece em alguma época do ano específica?
Sim. Normalmente, o evento acontece nas épocas de colheita ou pós-colheita, ou seja, de junho a final de agosto, início de setembro.
A época que os torrefadores mais gostam, que é a melhor, é quando está terminando a colheita, que eles estão vendo o terreiro cheio de café, e que já tenha algumas amostras para provar de safra nova. Por outro lado, há os que prefiram chegar no final de agosto, quando há mais café já disponível para prova e compra, ainda que o terreiro já esteja mais vazio. Depende muito do objetivo do torrefador, mas esse é o principal intervalo.

Como é feita a seleção de fazendas que vão receber as visitas? Os produtores se inscrevem?
Primeiro a Nucoffee compreende a demanda e vê onde o torrefador quer ir. Porque normalmente eles compram ou 100% cerrado ou 100% sul de Minas, ou São Paulo. Então, o primeiro passo é entender qual a vontade do cliente. Depois disso, nós acionamos nosso Marketing e nosso representante vai ao campo definir, sempre em função do objetivo do torrefador.

O que costuma ser uma viagem padrão na agenda do programa?
A partir do nosso encontro com o torrefador no Brasil, nós cuidamos de cada detalhe, alocamos ele em um hotel e organizamos todos os passos da viagem.
Em geral, fazemos visitas a fazendas, visitas a cooperativas e sessões de provas. Nesse ano, de maneira inédita, vamos à Universidade Federal de Lavras ver os projetos de inovação feitos nessa área, que devem ser apresentados pelos próprios idealizadores.
A quantidade de dias varia de acordo com o tamanho do grupo, mas sempre começamos no domingo e terminamos na quarta ou na sexta-feira.

E o que acontece nesse dia a dia?
Cada roteiro é sempre carregado de surpresas e emoções. Os torrefadores descobrem coisas que não imaginavam sobre a história por trás do café, além de conhecer a história de vida dos cafeicultores, que muitas vezes estão em contato com a produção desde crianças, vendo pais e avós vivendo aquela realidade. É aí que surge toda identificação entre eles, ao observarem que têm em comum essa relação de respeito e amor pelo café.
Essa troca acontece desde a mesa, onde produtores e torrefadores se juntam no que, normalmente, costuma ser um verdadeiro banquete de recepção oferecido pelo cafeicultor, passando pelas sessões de provas, cheias de sabor e de troca de conhecimentos, até o momento da chegada no campo, onde todos ficam eufóricos ao poder ver e sentir a terra na qual essa “magia do café” é feita.

Desde o início da sua atuação na Nucoffee, você acompanha o “Trips”? Como foi a evolução da sua experiência com o evento?
Sim, eu estou aqui há 5 anos e, desde que cheguei, acompanho os torrefadores no campo. O que eu venho percebendo, em todos os “Trips” que eu acompanhei, ao longo desse período, é a evolução das fazendas. Principalmente na forma como os produtores recebem os torrefadores, a vontade de nos deixar bastante tempo na fazenda, de nos mostrar toda a área e explicar a história por trás de cada café.
Por parte da Nucoffee, a gente recebe essas pessoas, une à ideia da Syngenta, leva-os às fazendas, às cooperativas, aos laboratórios. A grande alteração neste ano vai ser a ida até a Universidade, onde dois professores PHDs estarão nos esperando para darem palestras. Isso nunca existiu antes. Vamos sempre buscando novidades para o programa.

Em termos da relação produtor x torrefador, como o programa enriquece essa relação?
Eles criam uma relação, por exemplo o Mike, um torrefador que fica no Texas, criou uma relação de amizade com um produtor da Nucoffee. A relação deles transcendeu de cliente-produtor para família, segundo o próprio produtor. Então, quando você traz o torrefador e ele visita aquele produtor, ele pede a amostra e, ele só não compra o café daquela fazenda, se não for possível devido ao preço, à especificidade que ele deseja ou se ele quer comprar menos sacas do que a gente consegue mandar. Mas eles criam essa relação. Eles tiram fotos, se emocionam, querem manter o contato.

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Existe algum paradigma dos torrefadores em relação ao café ou às fazendas brasileiras que é quebrado nesses encontros?
Acontece muito essa quebra de paradigma. Quem nunca veio, sente isso. Porque a imagem que o Brasil tem lá fora é de fazer um café mediano, de qualidade básica. Mas, com o passar dos anos, os produtores investiram muito em pré-colheita e pós-colheita, em estrutura, processo de fermentação. Então, a régua de qualidade do Brasil está subindo muito. Mas isso não está sendo vendido lá fora. Existe uma cultura de que o Brasil é um produtor mediano, então, quando eles chegam aqui, eles ficam extremamente surpresos. Para se ter uma ideia, aqueles que têm cafeterias que não vendiam cafés single, que é 100% Brasil, começam a vender como origem única. Eles ficam impactados com a estrutura e com a qualidade do café que eles conseguem provar aqui.

Falando no torrefador, qualquer um pode participar ou existe algum filtro?
Em geral, os torrefadores entram em contato com a nossa equipe comercial e se inscrevem. Por outro lado, nossa equipe também avalia o perfil dos torrefadores e identifica quem poderia ter interesse em conhecer nossos produtores e o processo de plantio em diferentes regiões do País.
Uma vez que o torrefador está no Brasil, a Nucoffee cuida de todo o roteiro, viabilizando agenda e arcando com os custos dessas viagens às fazendas.
Em 2019, aproveitando a época de colheita e pós-colheita, temos dois “Trips” organizados. Mas, normalmente, esse número anual chega a três ou quatro.
Finalizando as visitas desse período, já começaremos a preparar as novidades para os “Trips” 2020. Todos os torrefadores interessados podem nos acionar para garantir a agenda do próximo ano. Com certeza, essa será uma oportunidade de ter muitas alegrias e experiências compartilhadas.

 

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